Quem somos nós?

Estas eleições são importantíssimas. Não só porque novos rumos poderão ser dados ao País, mas, também e principalmente, porque pelos resultados poderemos medir o quanto ainda vamos esperar pela maturidade.

Por Maria Thereza Alencastro Veiga em 03 de Outubro de 2014


O Brasil é um País de dimensões continentais. Todo mundo sabe disto.

Todo mundo sabe, também, que há duas regiões muito distintas neste cenário: a sul/sudeste, muito mais rica, muito mais populosa e a norte/nordeste. A região centro-oeste, por seu turno, tem adquirido maior importância econômica e cultural, historicamente falando, há muito pouco tempo.

Você já se interessou por perguntar, à história, o porquê destas diferenças gritantes?

Você já uniu o ciclo da cana-de-açúcar, o ciclo do ouro, do café e da borracha, o da soja, da industrialização à história do crescimento de cada região? Você tem notícias de qualquer plano nacional para igualar as regiões brasileiras em termos de desenvolvimento?

Você já pensou no quanto os portugueses, católicos arraigados e, portanto, predispostos à crença em dogmas e à ausência do poder de escolha, acentuaram nossa, digamos assim, alma? Por outro lado, a disposição dos portugueses à miscigenação influenciou nossos hábitos? E os índios? Os negros? Você já pensou por pouco que fosse, na história de Portugal e Espanha, países muito mais próximos da África do que os outros países europeus? Você já pensou que portugueses e espanhóis, nossos ancestrais, aqueles que se lançaram ao mar, são povos aventureiros?

Você já pensou na influência que os outros fluxos migratórios – orientais, alemães, italianos, árabes – tiveram na história do Brasil?

É justo você pretender que as pessoas que habitam cada uma destas regiões, com suas diferentes características de desenvolvimento e, consequentemente, de informação, educação, compreensão, tenham as mesmas aspirações?

É justo você diminuir ainda mais quem já foi diminuído pela própria história?

Quero repetir aqui duas coisas: a primeira escrevi no começo desta série de artigos: “O único objetivo deste site sempre foi o de informar (...) Claro que ninguém pretende esgotar qualquer assunto: aliás, não há como se esgotar qualquer ideia quando se habita um universo em movimento. (...) espero sinceramente poder aguçar a curiosidade de cada um.”

A segunda, escrevi ainda nesta semana. Mas a meu ver é tão importante, que quero reforçar: “(...) os cidadãos têm que alcançar como um todo o mesmo tipo de compreensão a respeito do que é o Governo para, então, ficarem livres para discutir expectativas e propostas apenas no campo da ideologia. Tal só acontecerá, no entanto, quando houver uma certa igualdade entre os cidadãos brasileiros: enquanto a sociedade mantiver as diferenças abissais entre as classes que a compõem, teremos, também, diferenças abissais de expectativas e, portanto, de critérios para a escolha do candidato. (...) O que fazer? Esperar. Esperar a maturidade que, aos poucos, vai contaminando aqui e ali, um e outro, até que a maioria compreenda o que é o Estado, quais suas obrigações e quais os direitos de seus cidadãos. (...) De fato, não há outra maneira de se alcançar a compreensão que deveria estar instalada e vigente mas, ao que parece, ainda demorará para acontecer, que não esta: esperar.”

Por fim. Você já se perguntou o quanto você mesmo já contribuiu para este País? Seus votos sempre foram direcionados pelo seu desejo de progresso, de desenvolvimento? Tudo foi pensado dentro de suas convicções ideológicas? Ou você já votou no amigo, no vizinho, no compadre? Aliás, você tem alguma convicção ideológica?

Estas eleições são importantíssimas. Não só porque novos rumos poderão ser dados ao País, mas também e principalmente porque pelos resultados poderemos medir o quanto ainda vamos esperar pela maturidade.

Abaixo alguns dados interessantes.


“Apenas 10% dos brasileiros tem interesse em conhecer melhor as propostas dos políticos que tentam entrar em cargos públicos nesta eleição e conhecer o que acontece no cenário político do país. É o que mostra uma pesquisa da agência de mercado Hello Research. O levantamento feito com mil pessoas de 70 cidades do país mostrou que 62% da população têm pouco ou nenhum interesse pelas eleições de outubro.

O estudo foi feito com homens e mulheres que têm entre 16 e 70 anos (idade até a quando o voto é obrigatório) e mostrou que os jovens são os mais desinteressados em política. Entre os pesquisados, somente 31% dos entrevistados com idade entre 16 e 24 anos disseram ter interesse pelo pleito. Em contrapartida, entre os maiores de 65 anos essa porcentagem sobe para 45%.

A análise também dividiu os entrevistados entre classes sociais e mostrou que a classe mais interessada nas eleições é a B, com 48% de muito ou médio interesse. A classe D/E é a que menos se preocupa com a votação, com 70% de desinteressados.

Fazendo coro a pesquisas anteriores, o levantamento viu que 61% dos entrevistados são contrários ao voto obrigatório e que 55% ao votariam se fosse possível. Também são os jovens os maiores opositores á obrigatoriedade, eles são 66% dos contrários ao voto como é hoje.”

(Redação Época 25/09/2014 18h45 - Atualizado em 25/09/2014 19h04 )

“Dados divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta terça-feira (29) apontam um crescimento de 5,17% no eleitorado brasileiro. Segundo o TSE, 142.822.046 milhões de eleitores estão habilitados a votar neste ano.

Entre os Estados, o maior colégio eleitoral do Brasil continua sendo São Paulo, que conta com 31,99 milhões de eleitores, 22,4% do total do País. Na sequência, aparece Minas Gerais, com 15,2 milhões (10,68%) e Rio de Janeiro, com 12,1 milhões (8,5%). O menor colégio eleitoral do Brasil é Roraima, que tem apenas 299,5 mil eleitores (0,21% do País).

O levantamento divulgado pelo TSE aponta um crescimento de 76,75% no número de brasileiros habilitados a votar no exterior em relação à eleição de 2010. Neste ano, 354,18 mil eleitores vão poder votar fora do País, em 118 países mas, apesar do crescimento, esse número representa apenas 0,25% do total do eleitorado brasileiro.

As mulheres continuam representando a maior proporção de eleitores do Brasil, e aumentaram a diferença neste ano. Atualmente, 52,13% dos eleitores brasileiros são mulheres — em 2010, a proporção era de 51,82%. O eleitorado feminino cresceu 5,81% em relação às últimas eleições, enquanto o eleitorado masculino teve um crescimento menor, de 4,54%.”

(R7 Eleições 2014. 29/7/2014 às 11h38, atualizado em 29/7/2014 às 12h59)

“A classe média brasileira representa 54% da população do país, de acordo com estudo feito pela Serasa Experian em conjunto com o Instituto Data Popular, sobre as famílias brasileiras que tem renda per capita (por pessoa) entre R$ 320 e R$ 1.120.

De acordo com a pesquisa Faces da Classe Média, divulgada na capital paulista, a previsão é a de que em 2023, essa fatia da população, também chamada de classe C no estudo, chegue a 58%.

Os dados revelam que a classe média, atualmente, é composta por cerca de 108 milhões de pessoas que gastaram mais de R$ 1,17 trilhão em 2013 e movimentaram 58% do crédito no Brasil.

A pesquisa mostra ainda que a classe C está mais concentrada na Região Sudeste, com 43%, seguida pelas regiões Nordeste (26%), Sul (15%), Centro-Oeste (8%) e Norte (8%).

A pesquisa mostra também que, em 2014, a classe C pretende fazer 8,5 milhões de viagens nacionais, comprar 6,7 milhões de aparelhos de TV, 4,8 milhões de geladeiras e 4,5 milhões de tablets. Além de 3,2 milhões de viagens internacionais, 3,9 milhões de smartphones, 7,8 milhões de notebooks, 3,9 milhões de geladeiras e 3,0 milhões de carros.

O estudo abrange respostas de 3 mil pessoas em todo o Brasil avaliando 4 mil variáveis. Segundo os critérios da pesquisa, a classe média está dividida em quatro categorias: os promissores, os batalhadores, os experientes e os empreendedores.

Os promissores totalizam 14,7 milhões de pessoas, 19% da classe média, e formam um grupo composto por jovens, com média de idade de 22,2 anos, com maioria de solteiros (95%), 59% têm ensino médio completo e 57% com emprego formal. Entre os promissores, 72% acessam a internet e 51% admitiram que se descontrolam financeiramente. Esse grupo é responsável por um consumo de R$ 230,8 bilhões e seus membros são mais propensos em gastar em beleza, veículos, educação, entretenimento, itens para casa e tecnologia.

Os batalhadores são 39% da classe média, com 30,3 milhões de pessoas, idade média de 40,4 anos e 48% com ensino fundamental completo. Os solteiros somam 72%, e aqueles que têm registro profissional com carteira assinada são 49%. Os que acessam a internet são 41%. Por ano este grupo consome R$ 388,9 bilhões, usando o crédito focado em prioridades vinculadas ao bem-estar familiar.

Os experientes são cerca de 20,5 milhões de pessoas, o que representa 26% da classe média, com consumidores com idade média de 65,8 anos. Entre eles, 41% são viúvos, 36% autônomos e apenas 7% com acesso regular à internet. Do total, 59% têm ensino fundamental completo e 31% não têm instrução. Nesse grupo o consumo anual é R$ 274,0 bilhões e está relacionado ao turismo nacional, eletroeletrônicos, serviços de saúde, móveis e eletrodomésticos.

Os empreendedores são 16% da classe média, com 11,6 milhões de pessoas, formando um grupo mais escolarizado que os demais: 42% estão cursando ou já concluíram o ensino médio e 19% o ensino superior. Nesse perfil 60% acessam a internet e a idade média é 43 anos. Os que têm emprego formal são 43%. Este é o grupo que apresenta maior renda per capita e seu consumo anual é R$ 276 bilhões. Os principais investimentos são em educação, eletroeletrônicos, turismo internacional, tecnologia, veículos e entretenimento.”

(UOL – Economia – 18/02/2014)


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