O mundo lá fora

Estamos na era da globalização: você sabe o que isto realmente significa?

Por Maria Thereza Alencastro Veiga em 15 de Setembro de 2014


O mundo livre está vivendo um momento extremamente delicado: o ISIS (Islamic State in Iraq and Syria) tem provocado todo o ocidente com as decapitações de reféns e com as notícias de assassinatos, escravidão, crimes sexuais e ataques a pessoas por motivos étnicos ou religiosos no Iraque. O próprio Conselho de Segurança da ONU, inclusive, já publicou uma declaração à imprensa, condenando veementemente a ação do ISIS e ressaltando que esta organização tem que ser derrotada.

Por outro lado, fala-se muito nos chamados ‘blocos econômicos’. Você sabe se o Brasil faz parte de algum? O alinhamento nestes blocos deve ser ideológico ou comercial?

Vamos lá!


Globalização

“Globalização é um conjunto de transformações na ordem política e econômica mundial, visíveis desde o final do século XX. Trata-se de um fenômeno que criou pontos em comum na vertente econômica, social, cultural e política, e que consequentemente tornou o mundo interligado, a chamada Aldeia Global.

O processo de globalização é a forma como os mercados de diferentes países interagem e aproximam pessoas e mercadorias. A quebra de fronteiras gerou uma expansão capitalista onde foi possível realizar transações financeiras e expandir os negócios - até então restritos ao mercado interno - para mercados distantes e emergentes.

O complexo fenômeno da globalização teve início na Era dos Descobrimentos e se desenvolveu a partir da Revolução Industrial. Foi resultado da consolidação do capitalismo, dos grandes avanços tecnológicos (Revolução Tecnológica) e da necessidade de expansão do fluxo comercial mundial.

As inovações nas áreas das Telecomunicações e da Informática (especialmente com a Internet) foram determinantes para a construção de um mundo globalizado.

O surgimento dos blocos econômicos - países que se juntam para fomentar relações comerciais, por exemplo, Mercosul ou União Europeia - foi resultado desse processo econômico.

O impacto exercido pela globalização no mercado de trabalho, no comércio internacional, na liberdade de movimentação e na qualidade de vida da população varia a intensidade de acordo com o nível de desenvolvimento das nações.

Com os mercados internos saturados, muitas empresas multinacionais buscaram conquistar novos mercados consumidores, principalmente dos países recém saídos do socialismo. A concorrência fez com que as empresas utilizassem cada vez mais recursos tecnológicos para baratear os preços e também para estabelecerem contatos comerciais e financeiros de forma rápida e eficiente. Neste contexto, entra a utilização da Internet, das redes de computadores, dos meios de comunicação via satélite, etc.

Uma outra característica importante da globalização é a busca pelo barateamento do processo produtivo pelas indústrias. Muitas delas produzem suas mercadorias em vários países com o objetivo de reduzir os custos. Optam por países onde a mão-de-obra, a matéria-prima e a energia são mais baratas. Um tênis, por exemplo, pode ser projetado nos Estados Unidos, produzido na China, com matéria-prima do Brasil, e comercializado em diversos países do mundo.”


Blocos econômicos

"Dentro deste processo econômico (o da globalização), muitos países se juntaram e formaram blocos econômicos (tipo de acordo intergovernamental, muitas vezes parte de uma organização) cujo objetivo principal é aumentar as relações comerciais entre os membros. Neste contexto, surgiram a União Europeia, o Mercosul, a Comecom, o NAFTA, o Pacto Andino e a Apec, por exemplo. Estes blocos se fortalecem cada vez mais e já se relacionam entre si. Desta forma, cada país, ao fazer parte de um bloco econômico, consegue mais força nas relações comerciais internacionais.

A maioria dos blocos comerciais estão definidos por uma tendência regional e podem ser classificados de acordo com seu nível de integração econômica.

Um dos primeiros blocos econômicos da Europa foi o BeNeLux (Be de Bélgica, Ne de Netherlands e Lux de Luxemburgo), cujo acordo aduaneiro que iniciou a união foi assinado em 1944. Ele é usado agora de uma forma mais geral para se referir ao agrupamento geográfico, econômico e cultural dos três países. Em 1951, esses países aderiram à Alemanha Ocidental, França e Itália para formar a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, o antecessor da Comunidade Econômica Europeia, hoje a União Europeia (UE).

Surtos da formação do bloco econômico foram vistos nos anos 1960 e 1970, bem como na década de 1990, após o colapso do comunismo. Em 1997, mais de 50% de todo o comércio mundial foi realizado sob a égide das organizações de blocos comerciais regionais. Os defensores do livre comércio são em geral opostos aos blocos econômicos, que, segundo eles, incentivam as regiões em oposição ao livre comércio global. Os estudiosos continuam a debater se os blocos econômicos regionais estão levando a uma economia mundial mais fragmentada ou se estão incentivando a extensão do mundo global existente a um sistema multilateral de negociação.

São apontadas como vantagens da existência dos blocos a redução ou eliminação das tarifas ou importação; o barateamento dos produtos; a redução na taxa alfandegária; a maior facilidade das pessoas mover-se de um país para outro e os benefícios trazidos aos produtores.

Por outro lado, seus críticos apontam como desvantagens, a diminuição da produção de empresas que têm produtos mais caros em relação a de outro país do bloco; a menor renda do produtor nacional; a proteção aos produtores ineficientes dentro do bloco em detrimento daqueles mais eficientes fora do bloco.

Os principais blocos econômicos atualmente existentes são: a União Européia (EU), da qual fazem parte cerca de 30 países; a NAFTA formado pelos Estados Unidos, Canadá e México; a APEC que é considerado o maior bloco econômico do mundo, dele fazendo parte 21 países; a ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático) e o MERCOSUL, formado pelo Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela e Paraguai."


ONU

“Organização das Nações Unidas (ONU), ou simplesmente Nações Unidas (NU), é uma organização internacional cujo objetivo declarado é facilitar a cooperação em matéria de direito internacional, segurança internacional, desenvolvimento econômico, progresso social, direitos humanos e a realização da paz mundial.

Após o fracasso da Liga das Nações (1919-1946), da qual os Estados Unidos nunca se tornaram membro, a Organização das Nações Unidas foi criada em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de deter a guerra entre os países e para fornecer uma plataforma para o diálogo. Ela contém várias organizações subsidiárias para realizar suas missões, sendo que os primeiros planos concretos para esta nova organização mundial foram iniciados sob a égide do Departamento de Estado dos Estados Unidos em 1939.

O termo ‘Nações Unidas’ foi usado pela primeira vez em 1º de janeiro de 1942 por Winston Churchill e Franklin D. Roosevelt em Washington, quando 26 governos assinaram a chamada Carta do Atlântico, que dizia respeito à Segunda Grande Guerra. Em 25 de abril de 1945, começou em São Francisco, Estados Unidos, a Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional reunindo 51 governos e um grande número de organizações não governamentais envolvidas na elaboração da Carta das Nações Unidas.

A ONU passou a existir oficialmente em 24 de outubro de 1945 após a ratificação da Carta pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (França, República da China, União Soviética, Reino Unido e os Estados Unidos) e pela maioria dos outros 46 países signatários. As primeiras reuniões da Assembleia Geral, com 51 nações representadas, e do Conselho de Segurança, tiveram lugar em Westminster Central Hall, em Londres em janeiro de 1946.

Atualmente 193 países-membros a compõe, incluindo quase todos os Estados soberanos. De seus escritórios em todo o mundo, a ONU e suas agências especializadas decidem sobre questões administrativas em reuniões regulares ao longo do ano. A organização está dividida em instâncias administrativas, principalmente: a Assembleia Geral (assembleia deliberativa principal); o Conselho de Segurança (para decidir determinadas resoluções de paz e segurança); o Conselho Econômico e Social (para auxiliar na promoção da cooperação econômica e social internacional e desenvolvimento); o Conselho de Direitos Humanos (para promover e fiscalizar a proteção dos direitos humanos e propor tratados internacionais sobre esse tema); o Secretariado (para fornecimento de estudos, informações e facilidades necessárias para a ONU), o Tribunal Internacional de Justiça (o órgão judicial principal), além de órgãos complementares de todas as outras agências do Sistema das Nações Unidas, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A figura mais visível da ONU é o Secretário-Geral, cargo ocupado desde 2007 por Ban Ki-moon, da Coreia do Sul. A organização é financiada por contribuições voluntárias dos Estados-membros, e utiliza seis línguas oficiais: árabe, chinês, inglês, francês, russo e espanhol, e todas as suas reuniões oficiais são traduzidas simultaneamente para estas línguas, assim como todos os documentos oficiais, em suporte de papel e ‘on-line’.

Quatro dos cinco órgãos principais estão localizados na sede principal das Nações Unidas em território internacional em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O Tribunal Internacional de Justiça está localizado em Haia, nos Países Baixos, enquanto outras grandes agências estão baseadas nos escritórios da ONU em Genebra, Viena e Nairobi. Outras instituições das Nações Unidas estão localizadas em todo o mundo.

A Assembleia Geral, que é a assembleia deliberativa principal das Nações Unidas, é composta por todos os Estados membros das Nações Unidas, se reúne em uma sessão ordinária anual, no âmbito de um presidente eleito entre os Estados-Membros. Ao longo de um período de duas semanas, no início de cada sessão, todos os membros têm a oportunidade de dirigir a montagem.

Para a aprovação da Assembleia Geral sobre questões importantes, é necessária a maioria de dois terços dos presentes e votantes. Exemplos de questões importantes incluem: recomendações sobre a paz e segurança, eleição de membros de órgãos, admissão, suspensão e expulsão de membros e questões orçamentais. Todas as outras questões são decididas por maioria de votos. Cada país membro tem um voto. Além da aprovação da matéria orçamental, as resoluções não são vinculativas para os membros. A Assembleia pode fazer recomendações sobre quaisquer matérias no âmbito da ONU, excetuando as questões de paz e segurança que estão sob consideração do Conselho de Segurança.

O Conselho de Segurança é o responsável por manter a paz e a segurança entre os países do mundo. Enquanto outros órgãos das Nações Unidas só podem fazer ‘recomendações’ para os governos membros, o Conselho de Segurança tem o poder de tomar decisões vinculativas que os governos-membros acordaram em realizar, nos termos do artigo 25 da Carta. As decisões do Conselho são conhecidas como ‘Resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas’.

O Conselho de Segurança é composto por 15 Estados-membros, sendo 5 membros permanentes - China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos - e por 10 membros temporários. Os cinco membros permanentes têm o poder de veto sobre as resoluções do Conselho, permitindo que um membro permanente impeça a adoção, mas não que bloqueie o debate de uma resolução inaceitável por ele. Os dez membros temporários são mantidos em mandatos de dois anos conforme votado na Assembleia Geral sobre uma base regional.”


Voltamos!

O que você pensa disto tudo? Seu candidato a Presidente da República já se posicionou publicamente a respeito da política externa que implementará caso eleito? Isto tem importância? O que acontece no mundo afeta o Brasil? O Brasil precisa ter uma posição proeminente no mundo?


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