Estão falando disto

Todo mundo tem, evidentemente, o direito de escolha, mas com base na verdade e não em mentiras que desprezam a capacidade do eleitor de se informar.

Por Maria Thereza Alencastro Veiga em 13 de Setembro de 2014


A propaganda eleitoral para a Presidência da República finalmente está descambando para onde ela quase sempre termina: na grosseria da mentira e da manipulação da ignorância do público eleitor. Não, ninguém precisa saber o que é Banco Central, PIB, Sustentabilidade, Crescimento Econômico, Desenvolvimento Econômico, Inflação, Recessão, mas se o que está sendo dito no horário eleitoral vai influenciar na escolha de seu candidato, se informe. Assim, se você está vendo pratos se esvaziarem supostamente em razão de um projeto de Governo que dá autonomia ao Banco Central, melhor procurar definições. Todo mundo têm, evidentemente, o direito de escolha. Mas com base na verdade e não em mentiras que desprezam a capacidade do eleitor de se informar.

Algumas dicas:


- Banco Central

"Um Banco Central é uma entidade independente ou ligada ao Estado cuja função é gerir a política econômica, ou seja, garantir a estabilidade e o poder de compra da moeda de cada país e do sistema financeiro como um todo. Além disso tem como objetivo definir as políticas monetárias (taxa de juros e câmbio, entre outras) e aquelas que regulamentam o sistema financeiro local. O Banco faz isso interferindo mais ou menos no mercado financeiro, vendendo papéis do tesouro, regulando juros e avaliando os riscos econômicos para o país.

Hoje em dia muitos economistas consideram que quanto mais independente um Banco Central é, maior seria sua autonomia para agir e portanto maior a eficácia de sua atuação para a estabilização da moeda e manutenção do seu poder de compra. Trata-se de deixar, ou não, que o Governo interfira diretamente na economia. Salutar lembrar que esta intervenção pode acontecer para maquiar a realidade.

Em contrapartida outros alegam que há vários bancos centrais de países com economias fortes e em amplo crescimento estável que não seguem esse modelo de independência, como o Banco do Japão e o da China. É preciso lembrar, no entanto, que a China não é uma democracia e que o Japão é um dos países mais adiantados do mundo inclusive politicamente. Lá, os corruptos, quando descobertos, costumam se suicidar.

O modelo maior de independência entre os bancos centrais atuais é do Banco Central Europeu (que por sua vez foi inspirado no bem sucedido Banco Central da Alemanha, o Bundesbank) , seguido pela Reserva Federal (informalmente 'Fed') dos Estados Unidos, que, no entanto, é um banco privado.

O Banco Central do Brasil atingiu um nível de evolução em que, na prática, tem autonomia total e certa independência, mas legalmente ainda é dependente e subordinado ao Conselho Monetário Nacional e subseqüentemente ao Ministério da Fazenda.

Resumindo, um Banco Central autônomo é aquele que, não dependendo de pressões políticas, não tem a função de financiar o déficit público, ou seja não pode adotar políticas emissionista de moeda, que sempre aumentam a inflação. A principal atribuição de um Banco Central independente é manter a estabilidade do nível geral dos preços e o funcionamento do sistema monetário nacional e garantir o crescimento econômico evitando uma recessão econômica."

Não, o Banco Central autônomo não é um Banco Central "entregue a banqueiros". E não, o Banco Central autônomo não faz desaparecer comida do prato de ninguém.


- PIB

"PIB é a sigla para Produto Interno Bruto, e representa a soma, em valores monetários, de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região, durante um período determinado.

O PIB é um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia, e tem o objetivo principal de mensurar a atividade econômica de uma região. Na contagem do PIB, considera-se apenas bens e serviços finais, excluindo da conta todos os bens de consumo intermediários.

(Bens de consumo intermediário são bens que são consumidos na produção de outros bens [matéria-prima], como os bens de consumo duráveis. A título de exemplo, o vidro que é usado na fabricação de um copo ou o papel usado na impressão de um livro são bens de consumo intermediário.)

Para analisar o comportamento do PIB de um país é preciso diferenciar o PIB nominal do PIB real. PIB nominal calcula a preços correntes, ou seja, no ano em que o produto foi produzido e comercializado, e PIB real é calculado a preços constantes, onde é escolhido um ano-base para eliminar o efeito da inflação e, segundo a maioria dos economistas, o mais indicado para análise é o PIB real."


- Sustentabilidade

"O termo 'sustentável' provém do latim sustentare (sustentar, defender, favorecer, apoiar, conservar, cuidar). Segundo o Relatório de Brundtland (1987), o uso sustentável dos recursos naturais deve 'suprir as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas'.

O conceito de sustentabilidade começou a ser delineado na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (United Nations Conference on the Human Environment - UNCHE), realizada na Suécia, na cidade de Estocolmo, de 5 a 16 de junho de 1972, que foi a primeira grande reunião internacional para discutir as atividades humanas em relação ao meio ambiente. A Conferência de Estocolmo lançou as bases das ações ambientais em nível internacional, chamando a atenção do mundo especialmente para questões relacionadas com a degradação ambiental e a poluição que não se limita às fronteiras políticas, mas afeta países, regiões e povos, localizados muito além do seu ponto de origem. A Declaração de Estocolmo, que se traduziu em um Plano de Ação, define princípios de preservação e melhoria do ambiente natural, destacando a necessidade de apoio financeiro e assistência técnica a comunidades e países mais pobres.

Embora a expressão 'desenvolvimento sustentável' ainda não fosse usada, a declaração, no seu item 5, já abordava a necessidade de 'defender e melhorar o ambiente humano para as atuais e futuras gerações' - um objetivo a ser alcançado juntamente com a paz e o desenvolvimento econômico e social.

O termo atualmente extrapola em muito o âmbito do meio ambiente, podendo ser introduzido em outros conceitos. Por exemplo:

- Crescimento Sustentado, que se refere a um ciclo de crescimento econômico constante e duradouro, porque assentado em bases consideradas estáveis e seguras. Dito de outra maneira, é uma situação em que a produção cresce, em termos reais, isto é, descontada a inflação, por um período relativamente longo;

- Gestão Sustentável, que é a capacidade para dirigir o curso de uma empresa, comunidade ou país, através de processos que valorizam e recuperam todas as formas de capital, humano, natural e financeiro."


- Crescimento Econômico, Desenvolvimento Econômico

"É preciso fazer uma distinção entre os vários tipos de crescimento econômico.

A forma mais clássica e tradicional de se medir o crescimento econômico de um país é medir o crescimento de seu Produto Interno Bruto - PIB. Quando se pretende fazer comparações internacionais o método mais eficaz é o método da Paridade do Poder de Compra. Outros métodos que utilizam a taxa de câmbio geralmente sofrem enviesamentos devido à especulação do mercado cambial ou políticas cambiais. Além disso, a taxa de câmbio não têm em conta os produtos não transacionáveis internacionalmente, como os serviços (barbeiro, alimentação, hotéis, saúde, etc).

Convém ainda distinguir crescimento econômico de desenvolvimento econômico: enquanto o primeiro se refere ao PIB, o desenvolvimento econômico é um conceito que envolve outros aspectos relacionados com o bem-estar duma nação, como os níveis de educação, saúde, entre outros indicadores de bem-estar.

Enfim, o crescimento econômico se difere do desenvolvimento econômico em alguns aspectos, pois, enquanto o crescimento econômico se preocupa apenas com questões quantitativas, como por exemplo, o PIB e o PNB, o desenvolvimento econômico aborda questões de caráter social, como o bem-estar, nível de consumo, IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), taxa de desemprego, analfabetismo, qualidade de vida, entre outros."


- Inflação

"A palavra inflação é utilizada para significar um aumento no suprimento de dinheiro e a expansão monetária, o que é a causa do aumento de preços; alguns economistas (como os da Escola Austríaca) preferem este significado, em vez de definir inflação pelo aumento de preços. Assim, por exemplo, alguns estudiosos da década de 1920 nos Estados Unidos referem-se a inflação, ainda que os preços não estejam aumentando naquele período. Mas popularmente, a palavra inflação é usada como aumento de preços, a menos que um significado alternativo seja expressamente especificado.

Outra distinção também se faz quando analisam-se os efeitos internos e externos da inflação: externamente, a inflação se traduz mais por uma desvalorização da moeda local frente a outras, e internamente ela se exprime mais no aumento do volume de dinheiro e aumento dos preços.

As causas da inflação são enumeradas como a emissão exagerada e descontrolada de dinheiro por parte do governo; a demanda por produtos (aumento no consumo) maior do que a capacidade de produção do país; o a umento nos custos de produção (máquinas, matéria-prima, mão-de-obra) dos produtos.

No Brasil, existem vários índices que medem a inflação. Os principais são: IGP ou Índice Geral de Preços (calculado pela Fundação Getúlio Vargas), IPC ou Índice de Preços Ao Consumidor (medido pela FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), INPC ou Índice Nacional de Preços ao Consumidor (medido pelo IBGE) e IPCA ou Índice de Preços ao Consumidor Amplo (também calculado pelo IBGE)."


- Recessão

"Em economia, recessão é uma fase de contração no ciclo econômico, isto é, de retração geral na atividade econômica por um certo período de tempo, com queda no nível da produção (medida pelo Produto Interno Bruto), aumento do desemprego, queda na renda familiar, redução da taxa de lucro e aumento do número de falências e concordatas, aumento da capacidade ociosa e queda do nível de investimento.

De maneira um tanto simplista, costuma-se considerar que uma economia entra em recessão após dois trimestres consecutivos de queda no PIB. Tal idéia surgiu a partir de um artigo de Julius Shiskin, publicado em 1974 pelo New York Times.

Entretanto, a 'regra prática' mostrou-se falha, por exemplo, na recessão de 2001 (estouro da bolha das empresas pontocom e o surpreendente colapso da chamada 'nova economia'), quando desapareceram 2,7 milhões de empregos - mais do que em qualquer recessão pós-guerra.

Da mesma forma, acredita-se que a recessão seja causada por uma queda generalizada nos gastos, e, assim, os governos costumam responder à recessão com políticas macroeconômicas expansionistas - expansão da oferta de meios de pagamento e do gasto público; redução de tributos - o que, entretanto, pode resultar em nova crise, a exemplo do que ocorreu após o colapso das pontocom, quando uma grande expansão do crédito inflou uma outra bolha, a das hipotecas, dando lugar à crise do subprime, enquanto que a expansão do gasto público engendrou, algum tempo depois, a crise da dívida soberana na zona euro."


Isto é só uma sugestão. Comece por aí, mas vá adiante. Não deixe que mintam descaradamente para você.


Comentários

Glaucia Francisca de Siqueira

Parabéns pelas coloções! Sucesso! Bjs