Até onde iremos?

A velha cantilena de acusações e mentiras intensifica-se a partir de agora. Em bom português, parece que o que vamos ver realmente, até o próximo dia 26, é uma luta de “vale-tudo”.

Por Maria Thereza Alencastro Veiga em 17 de Outubro de 2014


Muito bem.

Terminei o último artigo que escrevi aqui dizendo que agora seria o momento de esperar para ver o que iria sair de nossas TVs e rádios no horário eleitoral: se a velha cantilena de acusações e mentiras, ou se de fato o que interessa: propostas.

Acho que já sabemos a resposta: a velha cantilena de acusações e mentiras que, pelo que ouvi e li ontem e hoje, intensifica-se a partir de agora.

Pelo que entendi de tudo o que pesquisei, o índice de rejeição de cada candidato é a determinante para a decisão sobre a conduta a ser seguida pela equipe de cada um. Ouvi hoje, pela manhã, que o índice de rejeição da Presidente, ou seja, o percentual de pessoas que não votariam nela de forma alguma é de 41%, enquanto o de Aécio é de 36%.

Esta seria a razão porque o PT intensificará a tentativa de desconstrução de Aécio Neves, tal como fez com Marina Silva no primeiro turno, enquanto o PSDB sairá definitivamente da linha de defesa e vitimização, linha adotada sem sucesso pela candidata derrotada, e passa para o confronto.

Em bom português, parece que o que vamos ver realmente, até o próximo dia 26, é uma luta de “vale-tudo”.

Os dois debates que já aconteceram entre ambos mostra, de uma certa forma, o que se diz.

No primeiro, realizado na Band em 14/10, o embate foi mais equilibrado: enquanto Aécio insistia e insistia em apresentar propostas, a Presidente foi para o ataque. Tive a impressão, no entanto, que o tucano não estava convenientemente preparado para a selvageria: vi-o algumas vezes, se não, acuado, assustado. Assisti o debate novamente e, no cômputo geral, eu daria uma ligeira vantagem para a candidata petista.

No segundo debate, realizado ontem no SBT, não: parece-me que entre o primeiro e este segundo definiu-se a estratégia do PSDB de sair da defesa e entrar no embate frontal. E Aécio, pelo menos a meus olhos foi largamente vencedor.

Já disse e repito que tive a impressão que o primeiro cruzado do tucano foi sua resposta à questão “Lei Seca”. A Presidente gastou todo o tempo de sua pergunta discursando sobre importância das regras de trânsito e indagou: “Eu queria saber o que o senhor acha e como o senhor vê essa questão da Lei Seca e se todo cidadão que for acionado, que for solicitado, deve se dispor a fazer exame de álcool e droga?” Foi uma ingenuidade da petista, sobretudo quando se está frente a frente com quem tem raciocínio rápido.

O tucano sorriu, adiantou-se, se defendeu e atacou-a veementemente: “Candidata, tenha coragem de fazer a pergunta direito. (...) Eu tive um episódio sim, e reconheci. Eu tenho uma capacidade que a senhora não tem. Eu tive um episódio que parei numa Lei Seca porque minha carteira estava vencida e ali, naquele momento, inadvertidamente não fiz o exame. Me desculpei, me arrependi disso. Como a senhora candidata não se arrepende de nada que fez no seu governo. É importante candidata que nós olhemos para frente. Vamos falar do Brasil, explique aqui candidata porque que a senhora mantém até hoje nomeado, por exemplo na Itaipu binacional, o tesoureiro do seu partido que recebia propina para alimentar a sua campanha, candidata Dilma Rousseff. (...) Vamos falar de coisas sérias! (...) Não é possível que a senhora queira fazer aqui a mais baixa das campanhas eleitorais.”  

Em seguida veio o direto, que fez a Presidente daí para frente ir desmoronando, desmoronando, desmoronando até desmaiar (literalmente?) no final do debate.

Diante da insistência da candidata com o trabalho da irmã de Aécio Neves no governo de Minas Gerais enquanto este exerceu o cargo de Governador: “Agora, candidata, a senhora conhece o senhor Igor Rousseff? Seu irmão, candidata! Não queria chegar nesse ponto. O seu irmão, candidata, foi nomeado pelo prefeito Fernando Pimentel no dia 20 de setembro de 2003 e nunca apareceu para trabalhar, candidata. Essa é a grande verdade. Lamento ter que trazer esse tema aqui. A diferença entre nós é que minha irmã trabalha muito e não recebe nada. O seu irmão recebe e não trabalha nada. Infelizmente, agora, nós sabemos por que a senhora disse que não nomeou parentes no seu governo. A senhora pediu que seus aliados o fizessem, candidata Dilma Rousseff.”

Nocaute.

Não acho que tenha sido esta a proposta inicial do PSDB. Apesar de todos os escândalos recentes envolvendo a Petrobrás, a mim me pareceu que o desejo seria discutir basicamente os acertos e erros da economia e, em decorrência, temas caros à população brasileira tais como educação, saúde, infraestrutura etc.

Mas...

E já que entramos no nível da fofoca, do diz-que-me-diz e dos beliscões pelas costas, embarco nesta: dizem que o próximo assunto que Aécio levantará será o caso “Larry Rohter”, jornalista que, em 2004, enquanto correspondente do New York Times no Brasil, escreveu que Lula consumia bebidas alcoólicas excessivamente e, por isto, teve seu visto de permanência no Brasil cancelado pelo Ministério da Justiça.

Assista os próximos capítulos na Record (19/10, domingo) e na Globo (24/10, sexta-feira).

Até onde iremos?


Se você perdeu, assista o debate realizado pelo SBT:


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