A importância das coligações partidárias

É com a definição das coligações e dos nomes daqueles que disputarão os cargos eletivos, principalmente os majoritários, que se começa a ganhar ou perder uma eleição.

Por Anna Vitória Gomes Caiado em 12 de Junho de 2014


Já me manifestei aqui sobre a importância do voto, não o voto obrigatório, aquele de quem comparece às urnas apenas para evitar uma multa eleitoral, mas o voto consciente, aquele de quem quer mudar os rumos do país, de quem quer ajudar ou ao menos fazer o possível para isso. O voto do cidadão eleitor, sem amarras ou cabresto.

Neste sentido a conscientização política eleitoral passa também pelo conhecimento da legislação, do que é autorizado e o que é vedado, e a partir de quando algum ato político é legal ou não.

O calendário eleitoral divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral esclarece algumas dúvidas, pontuando, principalmente, as datas para início das convenções partidárias, direito de resposta, gastos de campanha, contratos, etc.

Nesses últimos dias estamos presenciando uma enxurrada de notícias, especulações, fofocas acerca das alianças partidárias que são definidas pelos partidos em suas convenções.

Isso porque, segundo o calendário eleitoral, do dia 10 ao dia 30 de junho os partidos estão autorizados não só a realizar convenções para a escolha dos candidatos que disputarão o pleito eleitoral, como também devem deliberar sobre eventuais coligações.

Pode não parecer importante, mas é justamente com a definição das coligações e dos nomes daqueles que disputarão os cargos eletivos, principalmente os majoritários, que se começa a ganhar ou perder uma eleição.

As coligações partidárias definidas pelas convenções, evento interno de cada sigla, definem não só os nomes dos candidatos, mas também o tempo de televisão e rádio.

Hoje, com a nova sistemática eleitoral, onde as pessoas não se reúnem mais em volta de uma praça para ouvir o candidato A ou B, o tempo de rádio e televisão é um fator importantíssimo para os candidatos apresentarem seus programas de governos, mostrarem a cara, dizer a que vieram.

Mesmo com o fenômeno da internet, o tempo de rádio e de televisão de cada partido ou coligação partidária ainda é um fator eleitoral importante. E talvez ainda mais essencial nos dias atuais – devemos acompanhar como a internet será utilizada nessas eleições – onde os acertos, erros e gafes dos candidatos poderão ser reproduzidos por qualquer cidadão nas redes sociais.

Não fosse o tempo de televisão de cada partido (definido pelo número de partidos presentes na disputa eleitoral e o número de representantes daqueles partidos na Câmara dos Deputados) e o voto de legenda, tema abordado no artigo anterior, as coligações provavelmente não existiriam, cada partido lançaria a famosa “chapa pura”, hoje cada vez mais difícil de ocorrer.

O problema das coligações, muitas das vezes, é a incongruência partidária. Em busca de uma legenda forte para disputar as eleições e de mais tempo de rádio e televisão, partidos antagônicos se unem sem preocupação com a ideologia partidária, razão inclusive porque muitos especialistas chegam a dizer que essa já não mais existe.

As convenções foram criadas e deveriam ser usadas para que os partidos reunissem seus filiados para a escolha, dentre os indicados, daqueles que deverão ser os candidatos da legenda para disputar um cargo eletivo.

No entanto, há muito no Brasil, as convenções funcionam mais como um rito protocolar, para referendar as candidaturas, pois os partidos chegam a elas já alinhados, com os nomes dos candidatos e coligações previamente definidos.

Não há mais eleição de chapa nas convenções, as disputas internas se dão antes, razão porque, neste exato momento eleitoral, temos presenciado a aproximação de alguns partidos, a especulação acerca das possíveis alianças e as fofocas de bastidores.

Este é um momento decisivo para os partidos, mas também para nós eleitores que devemos analisar as alianças nacionais e regionais para começar a formar uma opinião, positiva ou não, acerca daqueles que se apresentarão como candidatos nesse novo pleito eleitoral.


Comentários

Ricardo Ney

Texto muito bom, Dra. Esclareceu bem o assunto. Mas hj nao tem mais ideologia não... Só se unem por causa de interesses.